GUIA COMPLETO DE LUBRIFICAÇÃO INDUSTRIAL – PARTE 1

Este artigo é específico para você que quer crescer na carreira e se destacar. Aqui você vai encontrar tudo que precisa saber para virar um especialista em lubrificação.
Ao invés de perguntar ou repetir o que os outros fazem, seja você a autoridade no assunto dentro da empresa. Quando você entende a lógica por trás dos processos de lubrificação tudo fica mais fácil e você passa a saber exatamente que tipo de lubrificante usar, como e por quê.
POR QUE LUBRIFICAR?
Lubrificação é o processo pelo qual se reduz o atrito entre peças e consequentemente redução do desgaste, da temperatura de operação, da deterioração das superfícies metálicas e funcionamento suave, livre de contaminantes.
A lubrificação é essencial para garantir funcionamento perfeito e maior longevidade das máquinas e peças.
CARACTERÍSTICAS DOS LUBRIFICANTES
VISCOSIDADE: A resistência do fluido a deformação e, consequentemente ao escoamento. Seu principal influenciador é a temperatura. Quanto maior a viscosidade, maior a resistência do fluido ao escoamento.
PONTO DE FULGOR: Teste que através do aquecimento do óleo, se mede a menor temperatura em que vapores do produto podem pegar fogo na presença de uma faísca.
PONTO DE FLUIDEZ: Teste onde se mede o valor da mais baixa temperatura na qual o óleo ainda escoa.
ESTABILIDADE A OXIDAÇÃO: O processo de oxidação é o fator mais importante relacionado com a vida útil de óleos lubrificantes. Estabilidade à oxidação é o que determina a vida útil de óleos lubrificantes.
DEMULSIBILIDADE: Capacidade do óleo lubrificante em separar-se da água. Esta capacidade é obtida pelo tipo de óleo básico e aditivação.
EMULSIBILIDADE: Capacidade do óleo lubrificante em interagir com a água. Essa característica é de fundamental importância em óleos de usinagem.
EXTREMA PRESSÃO: Capacidade que um lubrificante tem de evitar que as superfícies em movimento entrem em contato, mesmo quando a película de óleo for rompida pela ação das elevadas pressões.
OLEOGINOSIDADE: Capacidade do óleo lubrificante de manter resistente a sua película durante o processo de lubrificação.
DETERGÊNCIA: Capacidade que um óleo tem de prevenir a formação de lacas, vernizes e depósitos de carbono durante o funcionamento do motor.
DISPERSÂNCIA: Capacidade que um óleo tem de impedir a formação de borras.
GRAXAS
Graxas são lubrificantes pastosos, formulados a partir de uma mistura de espessante, fluido lubrificante e aditivos. As vantagens do uso de graxa são:
- Conveniência: graxas ficam facilmente fixadas onde são aplicadas
- Persistência: o filme lubrificante fica retido nas superfícies durante as paradas
- Proteção: devido ao mínimo escoamento, forma-se uma camada de proteção contra corrosão
- Limpeza: óleos tendem a escorrer e espirrar, graxas não.
ESPESSANTE
O espessante pode ser:
- Sabão metálico, complexo ou misto. Pode ser de lítio, cálcio, alumínio, sódio, bário ou titânio.
- Não-sabão: microgel, sílica, poliuréia (orgânico), argila modificada
As funções do espessante são:
- Determinar a temperatura mínima e máxima de utilização
- Determinar a resistência à lavagem por água e compatibilidade
- Determinar a resistência ao corte
- Influenciar a resistência a formação de ferrugem
- Influenciar as propriedades EP
- Influenciar o ruído de funcionamento
ADITIVOS
A função dos aditivos é de conferir ou melhorar as propriedades da graxa ou óleo lubrificante. Eles podem ser:
- Inibidores de oxidação
- Inibidores de corrosão
- Agentes de oleosidade e untuosidade
- Lubrificantes sólidos
- Agentes modificadores de estrutura
- Agentes de extrema pressão
- Agentes de adesividade
Os aditivos sólidos são: grafite, bissulfeto de molibdênio, mica, talco, etc. Eles melhoram as características de fricção entre as superfícies metálicas, especialmente em situações de carga elevadas e choque. Após o desaparecimento da película de óleo, permanece uma camada protetora de aditivos sólidos.
As películas sólidas são consideradas como preenchedoras de rugosidade. Seu tamanho lhes permite conformar as superfícies dos metais, fazendo com que estas deslizem entre si evitando o contato metálico, reduzindo o atrito e consequentemente seu desgaste.
ÓLEOS BÁSICOS
São os óleos básicos que determinam a gama de viscosidade de funcionamento, a temperatura mínima de aplicação, a resistência à oxidação e a compatibilidade com as pinturas e elastómeros.
PARAMÊTROS PARA SELEÇÃO DE GRAXAS
Fatores externos:
- Recomendação do fabricante
- Tamanho e tipo de mancal
- Temperatura e velocidade
- Tempo de operação
- Pressão
- Carga (vibração / choque)
- Ambiente operacional (temperatura / umidade
Fatores internos:
- Consistência da graxa
- Tipo de espessante
- Viscosidade do óleo
- Qualidade da graxa
- Método e frequência de lubrificação
Características desejáveis nas graxas:
- Bombeabilidade
- Consistência adequada
- Estabilidade mecânica
- Ponto de gota elevado
- Pouca separação do óleo
- Compatibilidade com selos e vedações
- Estabilidade à oxidação
- Resistência à lavagem
- Proteção contra corrosão
PRINCIPAIS CAUSAS DAS FALHAS DE EQUIPAMENTOS LUBRIFICADOS COM GRAXA
FALTA DE GRAXA: Devido a esquecimento, vazamento ou graxa de qualidade inferior, é a causa mais comum de falhas.
CONTAMINAÇÃO: Água, sujeira, fuligem, depósitos e borra.
FRQUÊNCIA DE LUBRIFICAÇÃO INCORRETA: Excesso ou falta de graxa no mancal.
SUPERAQUECIMENTO: Seleção incorreta da graxa aplicada.
INCOMPATIBILIDADE COM A GRAXA JÁ EXISTENTE NA LINHA.
COLOCANDO EM PRÁTICA
Como exercício, escolha uma máquina, descreva suas características de operação e com base no conhecimento acima, determine o tipo de graxa que ela precisa. À medida que você for aplicando o conhecimento, essa escolha vai ser cada vez mais intuitiva.
Agora é com você, transforme o conhecimento em ação.

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Fonte: Curso Shell de Lubrificação
