Entrevista com Mario Gazeta, diretor de inovação da ITW South America

Confira a entrevista do Diretor de Inovação da ITW – Polymers and Fluids South America, Mario Gazeta, falando sobre a diferença entre o lubrificante especial e o lubrificante convencional e mostrando em números a economia que o lubrificante especial pode trazer para a indústria.
A ITW – Illinois Tool Works – fundada a mais de 100 anos, é uma líder mundial em inovação, com talentos nos ramos da engenharia e segmentos científicos e um amplo portfólio de cerca de 16.000 patentes ativas ou pendentes.
Os produtos e soluções ITW estão em todo o mundo, das plataformas de águas profundas de petróleo à tecnologia aeroespacial, pontes e turbinas eólicas e nos espaços que vivemos e trabalhamos, levando inovação e aumentando consideravelmente a excelência operacional dos sistemas.
Lubrificantes Especiais – tempo de economizar!
Quero começar diferenciando o que é um lubrificante especial e um lubrificante convencional.
Lubrificantes especiais são produtos diferenciados capazes de trabalhar em condições extremas, onde um lubrificante convencional, geralmente de base mineral, não suporta as condições severas.
Então um lubrificante convencional é ruim?
De forma alguma! Podemos citar aplicações tais como: sistemas hidráulicos, engrenagens, lubrificação de rolamentos automotivos, óleos de compressores, fluidos de transferência de calor, entre outras; nas quais o desempenho destes é totalmente adequado.
Por que então existem lubrificantes especiais?
Eles são desenvolvidos para atuar em condições limite de:
- Temperatura – altas ou muito baixas
- Rotação elevada
- Cargas extremas (equipamentos de mineração por exemplo)
- Ambientes agressivos – maresia, atmosferas ácidas, presença de agentes químicos, contato com oxigênio, presença de água
- Vibração
- Contato acidental com alimentos
- Longos períodos entre lubrificações
- Custos e consumo elevado de lubrificante
- Preservação do meio ambiente
O que há de diferente num lubrificante especial?
1. Começo falando do óleo básico utilizado, afinal é ele que lubrifica as partes móveis. Um lubrificante especial pode utilizar um:
– Óleo mineral de primeiro refino (Grupo I) adequadamente aditivado
– Óleo mineral mais refinado (Grupo II)
– Óleos sintéticos (ou como preferimos chamar – fluidos sintéticos, para diferenciar do óleo mineral). Entre eles destacamos as polialfaolefinas, poliglicois, polibutenos, silicones, ésteres, óleos vegetais e fluidos perfluorados
– Ou misturas destes fluidos
2. Em seguida entram os aditivos diversos. Cada um agregando uma função específica e que conferem ao lubrificante o desempenho esperado.
– Antioxidantes: garantem estabilidade em altas temperaturas e maior durabilidade do lubrificante
– Aditivos extrema pressão: permitem que o lubrificante suporte cargas elevadas sem desgaste do equipamento
– Melhoradores de índice de viscosidade: mantêm a viscosidade dos fluidos dentro de limites menores de variação
– Anticorrosivos: o próprio nome já nos informa sua função
– Melhoradores de adesividade: para melhorar a permanência no ponto de lubrificação
3. Finalmente, com toda a importância que elas merecem, as graxas! Sim, partindo de diversos óleos básicos e aditivos, agregamos um encorpante, gelificante ou sabão; os quais conferem uma consistência pastosa ao lubrificante e consequentemente garantem a permanência na área a ser lubrificada.
4. Podemos também citar os aerossóis (em muitos casos um meio de aplicar mais adequadamente o lubrificante, os lubrificantes secos (em pó ou incorporados a resinas) e os aditivos que conferem melhor performance aos lubrificantes convencionais.
Então, lubrificantes especiais custam muito mais caro?
Para responder a esta pergunta vou esclarecer dois pontos importantes:
- Se falamos de preço, quanto vou pagar, qual o valor na nota fiscal, vou dizer que sim. Tem um preço superior, totalmente compatível com a composição do lubrificante especial.
- Agora, quando calculamos os custos envolvidos na lubrificação, nossos gastos de manutenção / produção, perdas, descarte de materiais usados, multas por não atender legislação, riscos ao patrimônio, posso provar que o valor final é menor.
Os pontos a considerar nos nossos cálculos são:
| Diferencial | Vantagem |
| Vida muito mais longa dos lubrificantes | – Trocas menos frequentes – Menos descarte – Menor risco de poluição |
| Performance dos equipamentos | – Máquinas e dispositivos com maior disponibilidade produtiva – Menor custo de peças de reposição – Prolonga a vida dos ativos – Maior produtividade |
| Uso da mão de obra para tarefas de manutenção que agregam valor | – Atividades preditivas / proativa – Atuar na atividade fim da empresa |
| Risco menor aos colaboradores | – Menor manipulação de produtos químicos – Atendimento das normas trabalhistas |
| Ambiente industrial mais saudável | – Eliminação de vazamentos – Limpeza constante |
Fazendo um cálculo, sem considerar mão de obra, descarte, limpeza, desgaste de máquinas:
Custo do lubrificante convencional: R$ 12,00 por litro
Consumo Mensal: 1000 litros
Custo Total: R$ 12.000,00 por mês
Custo do lubrificante especial: R$ 75,00 por litro
Consumo mensal: 100 litros
Custo Total: R$ 7.500,00
Economia mensal: R$ 4.500,00
Isto tudo pode ser comprovado. Testes são possíveis. Temos inúmeros casos de sucesso para respaldar estas informações.
Se não for assim, não iremos oferecer um lubrificante especial.
Mario Gazeta
Diretor de Inovação da ITW
Polymers and Fluids South America

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