Contaminação por lubrificante na indústria alimentícia

Você se lembra do caso da cerveja Backer, onde sete pessoas morreram depois de ingerir a cerveja contaminada com produtos anticongelantes que vazaram no processo de resfriamento? Outras pessoas que ingeriram a cerveja, mesmo após 2 anos do ocorrido ainda sofrem de sequelas como perda da audição, insuficiência renal e cegueira.
Não foi um vazamento com lubrificante, mas é um exemplo muito claro e forte do risco que a negligência na manutenção pode gerar para a indústria alimentícia. Risco maior ainda dos consumidores, que consomem o alimento ou bebida sem imaginar que pode estar contaminado por algum produto químico.
A contaminação não ocorre somente na planta de processamento do alimento. Ela pode ocorrer na colheita, na planta que produz as embalagens, nas etapas de processamento ou até mesmo no envase, por isso é importante cuidado em todo o ciclo do produto.
Ao invés de cometer erros e pagar caro por isso, aprenda com o erro dos outros. Veja estes 5 casos de contaminação por lubrificante:
1 – SALSICHA DE PERU CONTAMINADA COM GRAXA
Em 1996, um total de 2,15 toneladas de salsicha de peru foram recolhidas pela fabricante americana Jennie-O Foods porque o produto havia sido contaminado com graxa.
Os óleos básicos e aditivos dos lubrificantes como agentes antidesgaste e EP, inibidores de corrosão e ferrugem, antioxidantes ou modificadores de viscosidade podem ser tóxicos para a saúde e não devem ser usados quando existe risco, mesmo que baixo, de contato com o alimento. Para este fim, existem as graxas grau alimentício.
2 – PRESUNTO DEFUMADO CONTAMINADO COM LUBRIFICANTE DE ENGRENAGEM
Em 1988, mais de 222 toneladas de presunto defumado foram recolhidos pela Smithfield Foods (a maior processadora de carne de porco dos Estados Unidos) porque estavam contaminados por um lubrificante de engrenagem.
A descoberta foi feita depois que vários clientes relataram um “gosto ruim” e “queimação na garganta” por até 3 horas após comer o produto.
Mesmo quando não há contaminação do produto, como neste caso do presunto defumado, pode ocorrer a ingestão de lubrificante pelos operadores ou técnicos que operam ou fazem manutenção das máquinas.
Alimentos e bebidas são frequentemente contaminados por contato com as mãos, luvas, roupas não lavadas, ou por serem deixados expostos no local de trabalho. Outros hábitos como roer unhas e fumar também contribuem para a exposição do profissional ao risco.
O compromisso da indústria deve ser com a saúde humana em geral, tanto dos consumidores quanto dos seus colaboradores.
3 – COMIDA DE BEBÊ CONTAMINADA
Em 2000, no Reino Unido, testes revelaram a presença de uma substância tóxica em uma lata de comida para bebês. As investigações indicaram que a lata estava contaminada com um lubrificante de óleo mineral, possivelmente de uma máquina do processo de fabricação ou do processo de fabricação das latas.

Os efeitos colaterais produzidos pela ingestão de alimento contaminado por óleo mineral são muito diversos, pois variam de acordo com os aditivos e contaminantes presentes no óleo assim como a quantidade ingerida. Algumas destas substâncias se acumulam no corpo e outras são potencialmente cancerígenas.
4 – REFRIGERANTE PODE CAUSAR IRRITAÇÃO
Em 2002, um carregamento de refrigerantes foi recolhido na Austrália devido à contaminação por lubrificante. A Food Standards Austrália indicou que o lubrificante poderia causar irritação se consumido.
Na cidade de São Paulo, a portaria 2619/11 exige que os lubrificantes utilizados nos equipamentos que possam eventualmente entrar em contato com os alimentos ou embalagens devem ser de grau alimentício, evitando assim o risco de contaminação.
5 – LEITE EM PÓ COM PARTÍCULAS DE FERRO
Em 2002, um fabricante encontrou 1.100 toneladas de leite em pó contaminados por óleo lubrificante contendo partículas de ferro muito finas. Isso foi descoberto quando um cliente reclamou que o leite em pó tinha um tom cinza pálido. Investigações chegaram até uma fábrica de embalagens, onde havia um eixo desgastado em uma caixa de câmbio. Isso permitiu que o óleo vazasse através de uma junta esférica e entrasse no leite em pó.
A contaminação do óleo lubrificante por partículas é algo comum e muitas vezes invisível. Perdas de produção, reparos e paradas não programadas, aumento de consumo de lubrificante e maior consumo de energia podem ser um indicativo da baixa qualidade do lubrificante por presença de partículas.
Os sintomas da contaminação por partículas de ferro variam de acordo com a quantidade acumulada no corpo. Intoxicação por ferro pode causar sintomas gastrointestinais, renais e neurológicos, como dores de cabeça e irritação.
LUBRIFICANTE GRAU ALIMENTÍCIO
Indústrias que usam lubrificantes grau alimentício tem a segurança de que durante as operações normais, um contato acidental entre o lubrificante e o alimento não levará à contaminação.
Lubrificantes grau alimentício são atendem aos rigorosos padrões de segurança alimentar e saúde ambiental, ajudando a reduzir os riscos de contaminação.
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